A presença que cura

Uma prescrição ao dispor de toda a gente: presença, carinho, disponibilidade, compreensão, tolerância, esperança, fé e amor.

No vigor da nossa vida, pensamos que a saúde é um dado adquirido, no entanto a doença, seja ela física, psicológica ou espiritual chegará independentemente da idade. Mas enquanto caminhamos pela ‘estrada da prosperidade’, olhamos, e não vemos, o nosso irmão que se encontra no ‘caminho do Calvário’. O mesmo sucede quando vivemos no ‘jardim viçoso da saúde’, não vemos as flores do ‘lugar dos doentes’ a necessitar de cuidado.

Neste retiro encontrei pessoas de bom coração, de genuína caridade, que dão sentido aos dias dos peregrinos, que por diversos motivos recorrem à casa da Mãe. Os dias começam com gratidão, por mais uma oportunidade de viver, pela refeição que temos, pelo convívio, pelo silêncio, pela oração, pelo canto, pela aprendizagem e pelo amor da partilha em comunidade.

A dualidade do servir e ser servido acompanha a natureza humana ao longo da peregrinação da vida. Nunca senti tão presente que a humildade e a caridade têm duas faces, a que serve e a que se deixa servir, pois em ambos os lados está a face de Jesus. Assim, o mais simples gesto, como um sorriso, pode fazer a grande diferença no dia do nosso irmão. Além disso, aceitar a caridade do irmão é uma graça e uma recompensa de Deus, que nos é dada para alívio do sofrimento e das provações pelas quais estamos a passar. O egoísmo e soberba cegam e como tal, não conseguimos ajudar nem ser ajudados nas nossas tribulações. Quantas vezes, sabendo que o nosso vizinho vive sozinho e que pode precisar de companhia ou conforto, deslocamo-nos à casa dele para dizer: “Bom dia, estou aqui para o que precisar.”. Quantas vezes saímos do conforto da nossa casa ou da nossa paróquia para fazer caridade?

Enquanto médica, deparei-me com uma realidade já habitual de idosos, com limitações da mobilidade e múltiplas doenças, mas as maiores doenças deles têm dois nomes: solidão e desolação. Apesar do apoio médico que prestei, a maioria dos participantes do retiro não precisava da minha ajuda. A prescrição está ao dispor de toda a gente: presença, carinho, disponibilidade, compreensão, tolerância, esperança, fé e amor.

Partilho uma frase que ouvi na viagem de regresso:

“O retiro foi uma lufada de ar fresco e representou a essência da Mensagem de Fátima.”; “Viemos de coração cheio e felizes”; “Estamos muito agradecidos por ter podido vivenciar esta experiência linda”.

 

Dra. Natalina Rodrigues

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