O que é o Ciclo Angélico?
O ciclo angélico é o prólogo místico-teológico da Mensagem de Fátima. Nele, os pastorinhos, e através deles toda a Igreja, são introduzidos no dinamismo da vida teologal, ascética e eucarística que caracteriza o carisma de Fátima.
O Anjo foi o primeiro catequista da Mensagem de Fátima. Ele mostra-nos que, para sermos mensageiros de Nossa Senhora hoje, precisamos ter corações cheios de oração, sacrifício e amor à Eucaristia.
O Ciclo Angélico decorreu ao longo do ano de 1916, em três momentos distintos, quando o Anjo se manifestou aos pastorinhos. Primeiramente como Anjo da Paz, depois como Anjo de Portugal, e por fim como Anjo da Eucaristia.
Assim, o ciclo angélico é como um caminho de preparação: antes de Nossa Senhora aparecer aos três pastorinhos, em 1917, Deus enviou um mensageiro especial: o Anjo de Portugal. Ele veio preparar o coração das crianças para acolher Maria e a mensagem que depois Nossa Senhora veio confirmar e aprofundar.
Aparições Angélicas segundo as “Memórias da Irmã Lúcia”
Primavera de 1916
No lugar conhecido como Loca do Cabeço, o Anjo apareceu como uma figura luminosa e disse com ternura:
“– Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.
E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:
– Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam, e não vos amam.
Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:
– Orai assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.»
Memórias da Irmã Lúcia I. 14.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2010, p. 169 (IV Memória). Cf. também Memórias da Irmã Lúcia I, p. 77-78 (II Memória).
Verão de 1916
No quintal da casa de Lúcia, junto ao Poço do Arneiro, o Anjo ressaltou:
“– Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.
– Como nos havemos de sacrificar? – perguntei.
– De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.”
Memórias da Irmã Lúcia I. 14.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2010 p. 170 (IV Memória).
Outono de 1916
O Anjo surge com um cálice e uma hóstia, suspendendo-os no ar. Prostrou-se de novo e repetiu conosco — três vezes — a oração a seguir:
«[…] trazendo na mão um cálice e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálice, algumas gotas de sangue. Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração:
– Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.
Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálice e a Hóstia e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálice deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo:
– Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.
De novo se prostrou em terra e repetiu connosco mais três vezes a mesma oração.
– Santíssima Trindade… etc.»
Memórias da Irmã Lúcia I. 14.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2010, p. 170-171 (IV Memória).

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