Da exigência da peregrinação ao compromisso de servir

Um percurso de fé que se transforma em cuidado, esperança e dedicação ao próximo.

“Há três anos, fiz pela primeira vez a caminhada a pé até Fátima. Foram dez dias exigentes, percorrendo entre 35 a 40 quilómetros diários, numa extensão de cerca de 400 km, movida pelo desejo de acompanhar outros peregrinos que cumpriam as suas promessas e outros motivados por um desafio pessoal. Mais do que o esforço físico, guardo dessa experiência uma sensação profunda de leveza e uma paz interior difícil de descrever.

Recentemente, decidi regressar, mas desta vez como voluntária, numa missão de quatro dias dedicada ao apoio a doentes. Uma experiência diferente, mas igualmente marcante e gratificante, onde o foco deixou de ser apenas o caminho pessoal para passar a ser o cuidado e a atenção ao outro.

Quero deixar uma palavra de sincero agradecimento a toda a equipa envolvida, com a qual vivi dias de imensa gratidão. Foi um privilégio trabalhar com pessoas unidas pelo mesmo propósito, onde o entendimento, a entreajuda e a dedicação estiveram sempre presentes. Foi também uma experiência onde construí grandes amizades, levando esta equipa para sempre no meu coração.

Um agradecimento muito especial ao senhor Padre Daniel Mendes, Assistente Nacional do Movimento da Mensagem de Fátima(MMF) cuja presença, liderança e dedicação foram verdadeiramente inspiradoras. O seu exemplo de entrega, fé e cuidado pelo próximo marcou profundamente esta experiência e todos os que nela participaram.

O retiro de doentes em Fátima proporcionou um tempo de encontro com Deus, marcado pela oração, pela esperança e pelo acolhimento. Senti que foi um espaço onde muitos encontraram força para viver as suas dores com mais serenidade e vontade, num ambiente de partilha e compreensão.

Para quem participou, tratou-se também de um momento de amadurecimento espiritual, acompanhado por uma renovação interior e uma profunda paz de espírito. Para quem serviu como voluntário, foi e é uma verdadeira lição de humanidade e empatia que deixa marcas.

Esta vivência reforçou a ideia de que Fátima continua a ser não só um destino de peregrinação, mas também um lugar de encontro, cuidado e transformação. No final desta missão, ficou a felicidade estampada no rosto dos peregrinos, que regressaram a casa mais tranquilos, em paz e com o coração cheio de esperança.

Nossa senhora nos acompanhe sempre.”

 

Sandra Argulho | Voluntária do MMF da Diocese de Bragança Miranda

Nota da redação: Este testemunho foi escrito por Sandra Argulho antes do seu falecimento. Publicamo-lo em sua homenagem, preservando integralmente as suas palavras.

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