Posso voltar para o ano foi a frase que mais ouvi no último dia do Retiro de doentes no qual tive o privilégio de participar no contexto da minha formação de Servita. Estes retiros gratuitos de 4 dias são organizados pelo Movimento da Mensagem de Fátima (MMF), em parceria com o Santuário de Fátima e a Associação de Servitas de Nossa Senhora de Fátima, várias vezes por ano.
Os doentes, vindos de várias dioceses a nível nacional, são “pescados à linha” pelos mensageiros de Fátima, como se impõe nestas situações de grande fragilidade. Os mensageiros de Fátima são vizinhos, amigos, conhecidos dos doentes, ou pertencem simplesmente à mesma Paróquia. São as relações de proximidade e de confiança que dão segurança aos doentes de se entregarem a esta aventura que, vi eu, transforma a sua forma de verem a sua condição de vulnerabilidade e assim transforma as suas vidas. Chegam tristes, pequenos ilhéus de sofrimento, sem esperança. No primeiro dia são apresentados uns aos outros, e à equipa que os acolhe, acompanhados pelo Padre Daniel Mendes, Assistente Nacional do MMF. Tipicamente, nestes primeiros momentos, os doentes apresentam-se como sujeitos passivos, que se tornaram reféns de uma doença. Ao longo dos dias vão sendo relembrados que são, cada um, o filho/ a filha irrepetível que Deus tanto quis criar e amar, e que têm uma missão individual. Vão sendo banhados com testemunhos vivos, uns dos outros, de amor e superação, vão percebendo que a sua doença pode ter um propósito e ser caminho de santificação, para eles e quem os rodeia. E de uma forma que não se consegue explicar, provavelmente pela sua origem divina, os doentes vão começando a sorrir, a abrirem-se uns aos outros, terminando o retiro confiantes num futuro sempre acompanhados por Deus.
Não é pois de estranhar que no último dia se ouça repetidamente: “Posso voltar para o ano?”
Maria Zita| Servita em formação


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